Tecnologia e beleza marcam premiação de melhores imagens científicas de metalurgia e materiais

Tecnologia e beleza marcam premiação de melhores imagens científicas de metalurgia e materiais
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Tecnologia e beleza marcam premiação de melhores imagens científicas de metalurgia e materiais

Concurso promovido pela Escola Politécnica da USP apresenta para o público as microestruturas que pesquisadores de materiais estudam e que revelam detalhes somente visíveis em microscópio

Cientistas e engenheiros usam técnicas microscópicas para analisar materiais e compreender a história desses objetos, sua estrutura, propriedades e comportamento em diferentes escalas. As imagens obtidas podem ser surpreendentemente belas e fascinantes, revelando detalhes e padrões que são invisíveis a olho nu. É para compartilhar essas imagens, que unem ciência e arte, que o Departamento de Engenharia de Metalurgia e Materiais da Escola Politécnica (Poli) da USP promove o Concurso de fotomicrografias científicas de Metalurgia e Materiais – MetMat.

Em sua 28ª edição, o concurso premiou no dia 27 de março, na Poli, os três melhores trabalhos de Microscopia Óptica e os três melhores trabalhos de Microscopia Eletrônica ou Microscopia de Força Atômica, além de destacar os trabalhos que receberam menção honrosa. Participaram alunos de graduação, de pós-graduação, pesquisadores, engenheiros, técnicos e professores, filiados a instituições de pesquisa, universidades ou empresas, envolvidos com Engenharia Metalúrgica e de Materiais. O concurso teve 140 fotos inscritas e contou com o patrocínio da empresa Aços Gerdau, que premiou o vencedor de cada categoria com o valor de R$ 3.000,00, os segundos colocados com R$ 2.000,00 e os terceiros com R$ 1.500,00.

“O evento dá a possibilidade de compartilhar com um público mais amplo a beleza que as microestruturas oferecem à comunidade dos pesquisadores de materiais. Elas oferecem informações sobre a história delas, como se formaram, e como elas estão influenciando as propriedades ou o desempenho dos materiais em serviço. Frequentemente deparamo-nos com imagens que, além de responderem perguntas, nos impressionam por sua beleza, ou nos lembram de outras imagens, por analogia, que nos surpreenderam na vida ou nas artes, no cinema”, explica Fernando Landgraf, professor da Poli e atual coordenador do concurso. Ele lembra que a premiação foi liderada por 22 anos pelo professor André Tschiptschin, também do Departamento de Engenharia de Metalurgia e Materiais. O concurso também contou com a participação dos professores Marcelo Breda Mourão e Antônio Carlos Vieira Coelho, do mesmo departamento.

Novos materiais e divulgação da ciência

De acordo com o professor Landgraf, a pesquisa de novos materiais e registro de imagens que permitem elucidar os mecanismos atuantes na formação da microestrutura e correlação com propriedades e desempenho em serviço é instigante e motivadora.

Nesse trabalho, a microscopia eletrônica é uma técnica que utiliza feixes de elétrons para criar imagens de alta resolução de estruturas internas e superficiais de materiais em escala nanométrica, enquanto a microscopia óptica usa luz visível para observar a morfologia e características macroscópicas dos materiais, considerando a medida de até 1 micrômetro.

A imagem Explosão de Cristais, por exemplo, ficou em primeiro lugar na categoria Microscopia Eletrônica e chamou a atenção do júri do MetMat, formado por professores da Poli, que destacaram a beleza e a complexidade da imagem. Ela retrata a aragonita e a calcita, duas espécies cristalinas de carbonato de cálcio presentes em amostras do solo estudado pelos pesquisadores na cidade de Aracaju, em Sergipe, e muito comuns nas áreas de poços de petróleo. Recebeu esse nome pois as substâncias aparecem em formatos compridos e de cubos que saem de um círculo central imaginário, como se estivessem explodindo.

O estudo, realizado em parceria com a Petrobras, tem o objetivo de desenvolver um método para avaliar a eficiência de inibidores de incrustação salina em águas sintéticas, de composição similar às de poços de petróleo.

“A divulgação científica é muito importante para a sociedade, e o concurso permite que imagens de interesse científico também possam ser divulgadas de forma criativa, como a imagem premiada na categoria Microscopia Eletrônica, que originalmente não possui cores (escala de cinza), mas pode ser colorizada artisticamente para evidenciar a beleza das estruturas cristalinas dos sais pesquisados em laboratório, como parte de um projeto de pesquisa científica. Além de tornar a imagem mais bonita, também fica mais intuitiva e atrativa para o espectador”, destacou o pesquisador Fábio Cleisto Alda Dossi, que apresentou o trabalho com Fabiane Santos Serpa. Ambos são do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (Nuesc), vinculado ao Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) da Universidade Tiradentes, do Sergipe.

Fonte: Tecnologia e beleza marcam premiação de melhores imagens científicas de metalurgia e materiais – Jornal da USP